Minha identificação com o Racing Club.

A relação com o meu time de infância começou na pré-adolescência, e desde então, o segui por meio do rádio, televisão, estádio (quando pude) e internet. Ganhando, empatando ou perdendo, no qual, quando acontecia esta última condição, minha reação imediata era de já pensar no próximo jogo. Jamais o vaiei e muito menos dei as costas, ainda que tudo ou quase, estivesse mal. Admiro quem segue o time de coração em qualquer situação. Mas, é qualquer situação mesmo!

Sempre gostei e admirei o futebol argentino, sua cultura de cancha e seus jogadores. Acho que por viver num país e conviver com inúmeras pessoas que me passasse uma má impressão quanto aos vizinhos, acabou por contribuir para que deixasse as bobagens e tolices de lado e procurasse estreitar meus laços com os irmãos de língua castelhana.

Já conhecia o Racing, “desde moleque”, na época da então Supercopa dos Campeões na qual participavam todos os clubes que já tivessem conquistado o principal torneio Sul-Americano, a Libertadores. Apesar de ouvir falar dele, não me dediquei acompanhá-lo. A partir do momento que decidir ler e assistir a vídeos, não foi difícil de me identificar com o Racing Club. Então, finalmente comecei a me interessar e buscar aprofundar na história do clube de Avellaneda. E não foi somente pelos títulos, grandes jogadores, mas sim, pela paixão de sua gente que realmente o segue em qualquer circunstância, mesmo diante de tantos anos de escassez, insucessos, somado a rebaixamento e falência. Enfim, uma torcida que está presente ‘en las buenas y en las malas’!

Principal torcida do Racing: ‘La Guardia Imperial’, conhecida como a Nº1.

No Brasil, existe uma cultura, que por sinal, conta com milhares de adeptos, na qual trata-se de uma maléfica corrente de que o apoio ao time deve ser somente quando este fizer por merecer, ou seja, estiver bem. Isso me enjoa!

Em 27/11/2001, encheram dois estádios num mesmo dia — o José Amalfitani do Vélez Sarsfield, o Cilindro, mais o Obelisco.

O clube atravessa anos sem uma seqüência de conquistas e concomitantemente, sem glórias. Todavia, nada disso faz com que seus torcedores o abandonem. Ir e encher “dos canchas en miesmo dia” (encher dois estádios no mesmo dia), mais o Obelisco, é umas das atitudes de amor e paixão que todo racinguista carrega com orgulho.

Jogos do Racing é sempre uma festa.

Quem não conhece e vê pela 1ª vez, pensa que o Racing é um time que está sempre no topo, sendo campeão, de tão empolgante que é a festa nos jogos de ‘la Academia’.

Tudo isso e mais um pouco, somando à minha concepção do que é e de como deveria ser o comportamento daquele que se diz torcedor, me fizeram aproximar e criar raízes com este charmoso clube.

Na minha geração, vi os rivais Boca Juniors, River Plate, Independiente, Velez Sarsfield e Estudiantes vencerem muito. No entanto, não foram capazes de me conquistar, apesar do respeito que tenho por eles. Já o Racing sim, pela peculiaridade, algo só dele, por sentir que seus torcedores simplesmente curtem serem o que são e fazerem o que fazem, mesmo tantas vezes não sendo correspondidos. Reconhecidamente é a torcida (hinchada) mais admirada da America do Sul, e para mim, é a melhor do mundo! Uma coisa é certa, como diz na letra de umas das canções: “es una hinchada diferente”.

Torcedores no pior momento da história do clube, demonstram o amor à uma camisa.

Aos poucos, vou conhecendo torcedores e pessoas que admiram e/ou torcem pelo Racing e sinto ainda mais familiarizado com o clube. Acompanho suas pelejas no Campeonato Argentino, bem como, as notícias quase que diariamente, e sempre que posso, adquiro produtos oficiais. Planejo em breve conhecer o glorioso Cilindro de Avellaneda — cancha que respira, suspira, isto é, possui alma — e junto com seus ‘hinchas’, alentar de coração antes, durante e depois, aconteça o que acontecer, como um típico acadêmico. Penso que quando fizer isso, me tornarei definitivamente um autêntico torcedor da ‘blanca y celeste’. Que Deus me conceda tal oportunidade. Amém! Aguante Acade!!!



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