Alemanha: uma seleção com cicatrizes. Ao Brasil, a oportunidade de mudanças.

Cicatrizes. É a palavra que me veio à mente durante o triunfo histórico, merecido e de tamanha autoridade da Alemanha sobre a seleção brasileira.

Sim, cicatrizes. Assim como em nossa existência, vivemos situações onde nos machucamos, sentimos e sofremos. Seja num emprego que quase conseguimos, numa prova de concurso que batemos na trave, assim como, quando gostamos e fazemos de tudo e mais um pouco por alguém e não somos correspondidos, isso em todas as áreas da vida. É… Não é fácil, é difícil, arde, dói, enfim, machuca quando tocamos, lembramos e/ou pensamos. Só tem cicatriz, que um um dia foi ferido. E as vezes, são muitas feridas e cicatrizes…

Acompanhei o jogo na sala de casa, enquanto minha mãe e amigas assistiam bebendo e comendo na cozinha. Nessa tarde, ao ver o belo, competitivo e moderno futebol apresentado por Klose e seus amigos, lembrei destes mesmos alemães, já que são 11 jogadores que estiveram nos torneios de 2006, e 6 em 2010. Em ambas as Copas, saíram na semi-final, sendo que uma dessas, foi justamente diante de seus torcedores, em casa!

Pois bem, passaram-se oito anos e lá, de novo, a gigante Alemanha disputando novamente uma Copa do Mundo. Tudo começou antes mesmo de 2006, quando se iniciou uma renovação, começaram as mudanças no futebol do país (Inclusive, o campeonato alemão cresceu tecnicamente, e atualmente um dos melhores). E geralmente, nem sempre é fácil qualquer começo, construir algo. Mas, deram o pontapé inicial e aos poucos os frutos foram aparecendo. No Mundial em que foram os anfitriões (2006) já pudemos ver sinais de renovação. Chegaram em 3º lugar e saíram aplaudidos pelos torcedores após serem desclassificados pela Itália, no caso, os italianos eram mais rodados.

Conseqüentemente, a seleção germânica cresceu, chegou à África do Sul em 2010, mais amadurecida e com grandes chances de conquista. Eliminou a Argentina com 4 a 0 numa quartas de final, e foi derrotada na semifinal por 1 a 0 pela Espanha, que viria a ser a campeã. Mais uma ótima participação alemã, que novamente alcançaria a 3ª colocação.

Este é o ano, a hora e a vez da Alemanha. É a demonstração, a prova de uma seleção com cicatrizes, experiente, calejada, com as lições aprendidas nos momentos difíceis passados durante os últimos anos. Este ano, no auge, nitidamente mais entrosados, tendo a base do melhor time de futebol do planeta, o Bayern de Munique. Enfim, estão no auge. Certamente aquilo que doeu um dia, toda ferida, se cicatrizou e a alegria e o prazer desse dia é algo incomparável.

Feridas, cicatrizes… felicidade e satisfação.

A goleada desse 08 de julho, antes de vexatória, vejo como uma chance de aprender com quem está em muito à nossa frente, quem buscou renovação, remodelação, decidindo mudar, desenvolver estratégias e uma visão nova. E por meio de trabalho árduo, tem dado certo.

É de deixar de lado essa arrogância de que no Brasil se encontra tudo. Chega, chega de uma vez por todas do discurso ultrapassado de: “aqui é uma família”, “vamos que vamos”, “milhões em ação”, dentre outras. O momento é de se praticar a humildade, rever os conceitos no futebol brasileiro como um todo! É necessário um recomeço. Nunca é tarde e ninguém melhor do que essa geração alemã para nos espelharmos. Afinal, a Alemanha é uma seleção com cicatrizes. Ao Brasil, a oportunidade de mudanças. Esperamos que isso aconteça. Tomara.

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